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Quinta-feira, 16 de Maio de 2013

COMPETÊNCIAS E FORMAS DE ESCOLHA DO CAPITÃO DE EQUIPA



Autor: Carlos Caetano
Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

Resumo

O presente estudo teve como objectivo a realização de uma análise que demonstre quais os factores de convergência/divergência entre treinadores e jogadores em relação às competências e formas de escolha do capitão de equipa.

A recolha de informação, necessária para a realização deste trabalho, foi efectuada através da aplicação de um questionário que teve por base uma amostra de 150 praticantes de Basquetebol de escalões de formação e 20 treinadores.

Os resultados obtidos demonstram que neste estudo não foram encontradas diferenças significativas nos dois grupos estudados, relativamente às hipóteses colocadas.

Assim, tanto treinadores como jogadores consideram as funções ligadas à motivação como sendo as de maior importância, bem como referem a opção “Votado pelos atletas e treinador” como sendo a mais correcta na escolha de um capitão de equipa.

Introdução

O capitão de equipa tem um papel vital na concepção de desporto moderno, ou seja, deve ser o elemento motivador e representativo do treinador dentro do campo, bem como alguém que aceita responsabilidades e assume posições de liderança. No entanto, são quase inexistentes os estudos que analisam o papel desempenhado pelo capitão de equipa, a sua importância e os critérios adequados para a escolha do mesmo.

Sendo o treinador de uma equipa o seu líder indiscutível, existem porém outros líderes formais, nos quais se inclui o capitão de equipa, que representa um papel fundamental no seio de um grupo.

A relação entre estes dois líderes (capitão e treinador) é abordada por Curado (2002) que defende a necessidade de ter que existir um total clima de confiança entre ambos.

São vários os autores que exprimiram as suas opiniões acerca das funções e competências que este elemento deve possuir para ser “um correcto capitão de equipa”, ora vejamos:

Segundo Messina (1968) o termo capitanear significa de imediato: liderança, responsabilidade, integridade, honra e respeito. Sendo as suas responsabilidades gerais divididas entre: 1 - O capitão deve sempre lembrar-se que foi escolhido porque a equipa o respeita e quer que seja ele a liderá-la; 2 - Ele é o responsável pela condução do grupo dentro e fora do campo; 3 - É também o responsável pelo moral da equipa dentro e fora do campo, nunca devendo dar sinais de desencorajamento; 4 - Quando surgem problemas no interior do grupo (treinos ou jogos) deve procurar resolvê-los de imediato, antes de ter que recorrer à equipa técnica; 5 - É obrigação do capitão representar qualquer elemento da equipa que tem determinado problema e expressar os seus pontos de vista à equipa técnica.

Seguindo um pensamento semelhante, Jay Mikes (1987) afirma que o capitão de equipa deve ser consistente, capaz de ajudar a equipa nas várias fases do jogo e em cada jogo, tendo que possuir permanente domínio sobre a concentração, compostura e confiança, factores que são determinantes para a obtenção de resultados positivos em competição.

Deverá sempre revelar-se um líder altruísta e ser capaz de dar o seu melhor contributo debaixo de pressão e nas fases cruciais dos jogos. Os seus atributos físicos e a forma como cuida de si e do seu corpo, procurando estar sempre em grande forma, demonstrando um enorme prazer pelo jogo, deve ser a sua “imagem de marca”.

Teotónio Lima (1993) dá o exemplo de alguém que verdadeiramente desempenhava na perfeição o papel de capitão de equipa, e define-o como sendo um grande motivador porque treinava com entusiasmo e um grande empenho físico que contagiava os seus companheiros de equipa. Foi um capitão que, em jogo, dava o tom na defesa e no ataque, isto é, era um jogador que defendia com agressividade e que atacava com serenidade. Sabia ler o jogo, e procurando conhecer a sua modalidade por dentro apoiava os mais novos, os «recrutas», que se juntavam à equipa.

Era um líder que se preocupava com a unidade da equipa e que como jogador conseguia ter a sua própria vida organizada de modo a estar disponível para dinamizar o espírito de grupo, mesmo para além dos treinos. Tinha uma qualidade rara, indispensável para desdramatizar situações delicadas na dinâmica do grupo – um sentido de humor, que sabia usar quando uma boa gargalhada constituía o remédio adequado para aliviar as «nervoseiras» que antecedem os jogos decisivos ou para pôr as coisas no lugar próprio depois de uma derrota decepcionante.

Enquanto capitão assumia, por sua iniciativa, o papel de elo de ligação humana entre os jogadores e o treinador, procurando criar e organizar situações de convívio que eram sempre bem conseguidas, bem como sabia definir e assumir a atitude a tomar em relação ao jogo, à arbitragem, aos dirigentes e até aos adeptos do clube.”

Na opinião de Tomáz Morais (2003) as funções de um capitão nunca poderão somente passar por este ser um mero representante da equipa para falar com o árbitro, escolher o campo, cumprimentar e entregar o galhardete aos adversários ou mesmo fazer o tradicional discurso após o jogo.

Segundo este treinador o capitão de equipa deve funcionar como um elo de ligação da equipa, pelo que se deverá ter em conta a sua capacidade de interacção com os outros jogadores de forma a garantir a efectiva transmissão de metodologias, estratégias e conceitos.

Existem alguns factores relacionados com as competências de um capitão de equipa que tem sido alvo de análise por diversos autores, entre os quais podemos salientar:

A liderança – uma vez que é o capitão que assume este processo, comandando a equipa e também tomando decisões que surgem inúmeras vezes durante o desenvolvimento de uma partida, sendo também alguém de grande atitude positiva, que dirija e lidere com naturalidade.

Segundo Teotónio Lima (1984) o capitão de equipa só poderá exercer uma liderança autêntica, legitimada por um estatuto de autoridade, se:
- For escolhido e designado pelos membros da equipa;
- For um atleta de valor superior à média dos membros da equipa;
- Transmitir à equipa a sua experiência de atleta e aquilo que sabe das actividades concretas e afins da prática da modalidade;
- Tomar decisões e tiver intervenções sobre o comportamento dos seus companheiros de equipa;
- For reforçado o seu estatuto de autoridade por parte do treinador.

A motivação – da equipa é um dos seus papéis primordiais, tendo que evidenciar a profundidade, a força e o potencial do seu carácter e da sua personalidade, mantendo sempre boas relações dentro da mesma, demonstrando uma correcta postura, atitude e disponibilidade;

A comunicação – sendo o capitão de equipa o elo de ligação de todos os atletas com o próprio grupo, com a equipa técnica e dirigentes, este deve saber transmitir, aos novos elementos que sejam incluídos no grupo, quais as regras, comportamentos e filosofia a adoptar para uma adequada integração.

Pedro Alvarez (2003) afirma que durante os jogos “…cabe ao capitão informar aos companheiros sobre as indicações dadas pelo treinador e informar o treinador sobre situações que ocorrem dentro do campo e que este poderá não perceber devido à distância a que se encontra. O saber contactar com os árbitros é decisivo para um capitão de equipa, principalmente na forma como e quando devem comunicar com eles…”

A organização – tem que estar sempre presente nas características de um capitão, de acordo com Messina (1968) este líder, para além ser um elemento dedicado e responsável, deve ter métodos e técnicas que o tornem organizado em todas as tarefas ligadas à sua modalidade específica.

Nos diversos artigos de opinião sobre este tema, “capitão de equipa”, surge-nos várias vezes mencionada uma outra questão de elevada pertinência – A forma mais adequada de escolha do capitão. As opiniões dos vários autores abordam as várias hipóteses de decisão inerentes a esta escolha, mas divergem muitas vezes de modalidade para modalidade e de treinador para treinador.

Jack Sheedy (1980) defende a ideia de que o capitão é normalmente escolhido por ser o melhor jogador, o mais extrovertido e comunicativo, o que ocupa posições-chave na constituição da equipa, o com mais maturidade ou o mais antigo no plantel/clube.

Por outro lado, Jerry Cougill (1968) refere que um papel de tanta responsabilidade como o de capitão de equipa não pode resultar de uma simples eleição, mas sim da escolha directa do treinador, pois este saberá melhor quais os requisitos necessários ao desempenho desta função do que maioria dos membros da equipa.

Para Manuel Cajuda (2003) a escolha deste líder deve ter por base questões como: a antiguidade, a competência técnica, física, táctica, psicológica, social e cultural; a honestidade profissional; ser conhecedor da “mística ou doutrina” do clube e um líder reconhecido pelos outros através das suas reais capacidades.

Luís Magalhães (2003) começa por afirmar que “ser capitão de equipa não é apenas uma mera formalidade”, por isso escolhe jogadores experientes para liderarem a equipa.

Na opinião deste treinador profissional o cargo em análise é demasiado importante para ser encarado com alguma distância. Assim, no seu ponto de vista não deverão existir eleições, nem antiguidades ou outra qualquer situação, que não seja a escolha criteriosa da sua parte, no sentido de escolher bem um líder, um elemento exemplar, experiente, com carácter e que desempenhe com qualidade e competência as suas funções.

No seu artigo Pedro Alvarez (2003) considera que a escolha do capitão de equipa deverá assentar sobre comportamentos sociais e valores morais, não sendo o rendimento desportivo uma característica essencial para o desempenho deste cargo nos desportos colectivos. Segundo este autor o comportamento social dentro e fora do treino deverá ser determinante para a sua eleição. Alguns princípios elementares destacados por este autor como: a assiduidade e a pontualidade ao treino, uma constante atitude positiva perante o treino, ao nível da aplicação e da superação das dificuldades colocadas pelo treinador, e a capacidade de diálogo com os adversários e árbitros (principalmente em situações de maior pressão competitiva).

Assim, este treinador de escalões de formação, defende que “a eleição do capitão de equipa deverá ser livre, mas orientada”, devendo a sua escolha ser o resultado de um processo democrático dentro de um grupo, no qual o treinador poderá interferir subtilmente ou não.

Na opinião de Tomáz Morais (2003) a escolha do jogador para assumir esta difícil e permanente tarefa, de capitão de equipa, tem de ser bastante criteriosa e cuidada.

Considera que nos desportos colectivos, de uma forma genérica, o capitão é escolhido consoante as características de cada modalidade e segundo algumas tradições, como por exemplo: o jogador com mais idade, o mais antigo no clube, o mais internacional, a “vedeta”, o jogador mais “querido” pelos outros jogadores, etc.

Na sua perspectiva qualquer destas alternativas é aceitável desde de que se cumpra o principal objectivo – “o sucesso da equipa – no qual o capitão tem que, por si só, constituir uma mais valia”.

Método

Foram inquiridos 170 sujeitos, sendo 150 praticantes de Basquetebol federado (90 atletas masculinos e 60 femininos, pertencentes a 15 equipas) do escalão de cadetes (idades compreendidas entre 14-16 anos) e 20 treinadores de escalões de formação.

Para a realização deste estudo foi aplicado um questionário composto por 16 afirmações referentes às competências do capitão de equipa, através das quais se pretendia que os inquiridos se identificassem com maior ou menor concordância, e por uma pergunta de resposta fechada sobre a forma mais correcta para proceder à escolha do mesmo.

As 16 questões foram avaliadas numa escala de Likert de 4 pontos estando divididas em quatro dimensões: liderança, motivação, comunicação e organização.

Procurou-se assim verificar a validade de duas hipóteses: 1) As competências mais relevantes de um capitão de equipa diferem entre treinadores e jogadores; 2) A forma de escolha do capitão de equipa difere entre treinadores e jogadores.

Resultados

As hipóteses testadas por este estudo não se confirmaram, uma vez que não se encontraram diferenças significativas nos resultados apresentados pelos dois grupos relativamente às funções de maior importância atribuídas ao capitão de equipa e à sua forma de escolha.

Ambos consideraram as funções relacionadas com a Motivação (Treinadores: 3,59; Jogadores: 3,26) como sendo as mais preponderantes, bem como, em relação à opção apontada como a mais correcta na escolha do capitão de equipa -“Votado pelos atletas e treinadores” (39,4%), que foi igualmente a mais referida por jogadores (40,0%) e treinadores (35,0%).

No entanto, relativamente à pergunta sobre a forma mais correcta para proceder à escolha do capitão, verificou-se ainda a existência de alguma divergência nas respostas apresentadas, uma vez que os jogadores, ao contrário dos treinadores, referem quase a totalidade das opções (dez das doze apresentadas), dando mesmo algum peso (7,3%) à forma de escolha do capitão de equipa através de “sorteio entre jogadores”.





Conclusões

A opção escolhida por treinadores e atletas como sendo a forma mais correcta de escolha de um capitão de equipa (“votado pelos atletas e treinadores”) é divergente da maioria das opiniões dos autores citados, que são na sua totalidade treinadores.

Se em relação aos jogadores parece normal a escolha recair nesta opção, pois possibilita expressarem as suas opiniões, por outro os treinadores contrariam a posição dos autores citados, quando estes referem que não se deve recorrer a qualquer tipo de eleição para proceder a esta escolha.

A razão que explica esta divergência prende-se com o facto de este estudo ter sido dirigido exclusivamente a treinadores de escalões de formação.

Assim, propõe-se a aplicação deste estudo em diferentes escalões, verificando as diferenças entre os escalões de formação e o escalão de seniores, bem como a sua realização nos diversos desportos colectivos.

Deverá ainda analisar-se de que forma os treinadores preparam o seus atletas tendo em vista a aquisição das competências necessárias para o desempenho desta função.

Referências Bibliográficas

Alvarez, P. & Cajuda, M. & Magalhães, L. & Morais, T. (Agosto 2003). A escolha do capitão. Treino Desportivo, pág. 34-39.

Curado, J. (2002). Organização do treino nos desportos colectivos, pág. 135-141. Editorial Caminho, SA.

Lima, T. (1993). O capitão. O Treinador nº16, pág.16.

Montero, Alberto (Agosto 1999). Educación Física y Deportes. Revista Digital, Ano IV, nº15. Sports Coach, (1980). Vol. 6, nº4, pág. 28.

The Athlectic Journal, (Maio 1968).

Ucha, Francisco (Março 1999), Educación Física y Deportes. Revista Digital, Ano IV, nº13.


FONTE: Artigo gentilmente enviado por Andreia Barata (Treinador e jogadora de Hóquei em Patins)

Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

ABANDONO PRECOCE NO DESPORTO - O TREINADOR



"No desporto, como em muitas outras actividades, os adultos podem ajudar as crianças e jovens a desenvolverem os seus interesses e a optimizar as suas capacidades pessoais. O treinador de jovens apresenta-se como um excelente exemplo em como poderemos maximizar essas oportunidades. As crianças, de uma forma geral, querem ser bem sucedidas na actividade desportiva que escolheram para praticar. Se regredirmos à nossa infância, e colocarmo-nos nessa posição de ser criança no desporto, facilmente nos lembramos dos sonhos de glória – fazer o tal golo no último minuto. Cada movimento, cada remate, cada execução que é realizada num treino ou jogo, é um marco que pontificará na memória. Quando se desenvolve uma actividade desportiva com crianças, os adultos significativos (e.g. treinadores, pais) têm a oportunidade de auxiliá-las perante aquilo em que elas são mais vulneráveis – a competitividade precoce. Isto é, os treinadores, os pais, os dirigentes ou os juízes, podem desenvolver a competição sob a perspectiva de fomentar auto-percepções positivas e a auto-aceitação nas crianças. Estes adultos significativos são responsáveis pelo desenvolvimento do divertimento e do carácter, e rejeitar os abandonos precoces da prática desportiva. Idealizando a figura do treinador neste sentido, ser treinador de crianças e jovens não se circunda, unicamente, sob a perspectiva metodológica do treino. Ser treinador de jovens é muito mais do que isso! Implica ter conhecimentos acerca do desenvolvimento da criança, compreender o seu pensamento e a sua cognição. Saber que as crianças e jovens que dirige e auxilia no desporto percepcionam-no como um modelo social a seguir e a respeitar. Geralmente, os treinadores de crianças querem fazer bons trabalhos, isto é, desenvolver talentos, optimizar capacidades técnicas, fazer a equipa jogar bem, etc. Em muitos casos,  alguns desses treinadores são voluntários, que tiveram um passado na prática do futebol, que gostam do treino e do clube. Mas, um mau delineamento dos desígnios pedagógicos e didácticos no treino pode causar graves danos no futuro das crianças e jovens. O que, hoje em dia, de uma forma sucessiva tem vindo a acontecer, é o abandono precoce da prática desportiva. Os treinadores são a figura principal no processo de formação desportiva da criança. A sua má conduta leva ao decréscimo da confiança e da motivação, criando uma barreira entre a criança e a prática desportiva que tanto gostava de praticar. Se foi fácil para um treinador esquecer o jovem atleta que abandonou a equipa a meio da época porque não jogava o suficiente, ou porque, não se divertia, talvez esse mesmo treinador veja, somente, o desporto a partir da vitória e da derrota, e das medidas para alcançar o sucesso rápido na formação.

A formação dos treinadores de crianças e jovens em futebol é uma necessidade premente. Apesar de se verificar na bibliografia e na prática corrente, tentativas de suporte nesse sentido, a intervenção ainda é parca, face o evidente crescimento de instituições desportivas e, concomitantemente, de praticantes nelas envolvidos. O aumento da taxa de abandono desportivo precoce, por parte de crianças e jovens no futebol de formação, tem sido um sinal de sobreaviso para os responsáveis da formação desportiva, em especial, na modalidade do futebol. As seguintes linhas pretendem promover a reflexão no delineamento pedagógico dos processos de ensino/aprendizagem em futebol juvenil. Talvez se deva salientar aqui, que a competição desportiva, por si só, poderá ter vantagens (apesar de estar longe de ser o principal motivo, a competição tem alguma representatividade no padrão motivacional dos jovens),  mas igualmente desvantagens. À competitividade, normalmente, estão associados o desapontamento, a “pressão” por parte de pais e treinadores, e a frustração. Possivelmente se ela for encarada do ponto de vista da formação perante aqueles que nela estão envolvidos, ela será vantajosa se promover a maximização da aquisição de conhecimentos e de capacidades, passando a ser desvantajosa se impedir ou perturbar o normal processo de aprendizagem.
No sentido de promover os benefícios da prática e do treino em futebol para as crianças e jovens, é importante ter em consideração as seguintes directrizes:

DISTINGUIR

Distinga as diferenças do desenvolvimento da criança.  As crianças diferem dos adultos nas capacidades fisiológicas, motoras, cognitivas e emocionais. Neste sentido, o treinador antevendo o crescimento e desenvolvimento da criança, deverá considerar como efectua a sua comunicação e como delineia as formas didácticas do treino. Por exemplo, quando observamos crianças de 6 ou 7 anos de idade a jogar futebol, facilmente é identificável a forma descoordenada como as crianças se posicionam em relação aos seus colegas e em relação á bola. A bola é o centro das acções. O pensamento da criança nesta idade não apresenta um desenvolvimento suficiente, no que concerne ao domínio espacial e dedutivo. É comum, observar-se em várias actividades os treinadores de crianças com estas idades: “Organizem-se!”, “Passa a bola!”, “Marca o jogador”, “Posiciona-te na defesa”.

UTILIZAR

Utilize a comunicação positiva. A utilização do reforço positivo apresenta-se como fundamental no ensino e prática de qualquer actividade com crianças. A comunicação é uma das áreas que o treinador, em qualquer nível competitivo, deverá saber dominar. As investigações demonstram que, no ensino e aprendizagem desportiva, a utilização do feedback positivo por parte dos treinadores resultam no incremento da motivação, auto-estima e do divertimento nas experiências desportivas de crianças e jovens.

CRIAR

Crie situações que desenvolvam a tomada de decisão. Devem ser providenciadas situações para que os jovens atletas tomem as suas próprias decisões em contexto de treino e de jogo. A investigação afirma que a intervenção do treinador em jogo não deve ser contínua. Nesta circunstância, o treinador deve alternar entre a instrução técnica correctiva (não de forma sucessiva) e o reforço positivo (contingente a uma boa execução). Não raras vezes, observa-se que os treinadores de crianças enviam, constantemente, instruções para o campo, na tentativa de corrigir erros técnicos ou tácticos de jogo – “Joga na direita!”, “Joga na esquerda!”, “Marcação ao homem!”, “Toda a gente atrás da linha da bola” – de uma forma quase contínua. Acontece que, a mensagem enviada pelo treinador, gradualmente, deixa de ter relevância. E, se tivermos em consideração, que as crianças têm, de uma forma natural, uma reduzida focalização da atenção, este tipo de comunicação por parte do treinador apresenta-se como ineficaz. Os treinadores deverão criar um ambiente que encoraje as crianças a tomarem decisões por si próprias. Terão que ver as decisões erradas como uma oportunidade para aprender.

IDENTIFICAR

Identifique e persiga os verdadeiros valores da formação desportiva de crianças. Tipicamente, os treinadores mais jovens iniciam a sua actividade com boas intenções. Querem que as crianças, sobretudo, se divirtam, desenvolvam novas capacidades e competências, e saibam avaliar a vitória e a derrota através do esforço dispendido para o jogo. Estes são, alguns dos valores, que se identificam como ideais para a formação e desenvolvimento biológico, psicológico e social no desporto. No entanto, o fascínio da vitória, por vezes, eclipsa estes objectivos primordiais da formação desportiva. Os sinais são imediatos: menor rotatividade das crianças nos jogos; de uma forma sucessiva, vê-se as crianças a chorarem por terem perdido o jogo; comportamentos mais agressivos nos treinos; pais descontentes; entre outros. Crie objectivos no início da época, e reveja-os durante a temporada. Para qualquer criança, o divertimento é jogar. Se questionar uma criança se pretende jogar na equipa que perde ou ficar no banco de suplentes da equipa que ganha, a maioria responderá que prefere jogar. Seja crítico para com o seu próprio comportamento. Reserve algum momento de reflexão após os jogos e após os treinos. Reveja o planeamento do treino. Verifique se os próprios objectivos formativos estão a ser cumpridos. As informações que retirará daqui mantê-lo-ão no caminho do alvo que formulou previamente.

PROCURAR

Procure receber feedback do seu comportamento em treino. Para evoluirmos em alguma actividade, é importante termos recursos que nos informem acerca do nosso rendimento. Após os treinos ou jogos, questione os seus adjuntos acerca da sua prestação e da equipa, do clima, da coesão de grupo, etc. Encoraje-os a serem específicos, a darem exemplos práticos e concretos. Questione os pais acerca do que os filhos dizem dos treinos e dos jogos. Os pais são um aliado para a formação desportiva! Verifique o sentimento das crianças durante a época. Se eles estiverem hesitantes em falar, faça-os responder a alguns questionários anónimos. Podem incluir questões como, “Se pudesses mudar uma coisa nos treinos para torná-los mais divertidos, o que seria?”, “Qual é o melhor e o pior comportamento que o treinador tem durante os treinos?”, “Onde achas que a equipa poderá melhorar?”. Não se esqueça, a motivação é o motor da prática desportiva.

ACEITAR

Aceite a espontaneidade e o caos que caracterizam as actividades com crianças. A espontaneidade e os comportamentos inesperados das crianças podem provocar frustração e um grande desânimo se o treinador se render à ilusão do controlo de todas as situações de treino. A realidade é que cada criança é única e, todos os dias, nos presenteará com um comportamento e uma expressão nova. E, cada criança tem um desenvolvimento e uma maturação distinta. È importante ter em consideração que o plano de treino traçado no início da época, não raras vezes, tenha que ser alterado no momento, e necessite de constante revisão. Considere um determinado nível de desordem como inevitável em actividades com crianças.

Treinar crianças e jovens providencia uma excelente oportunidade para os influenciar, positivamente, nas suas vidas. Este facto, é extremamente importante, quando o treinador compreende o desenvolvimento das crianças em relação ás suas capacidades desportivas, vê as crianças como únicas e individuais, e interessa-se, constantemente, pela evolução dos processos de ensino e aprendizagem. Finalmente, ser um treinador de sucesso com crianças é continuar a aprender em cada treino e com cada criança, tornando-se cada dia, num treinador melhor."

Fonte: Escrito por Pedro Teques in

Domingo, 28 de Abril de 2013

O HÓQUEI EM PATINS ESTÁ DE LUTO E O BLOG THP TAMBÉM.



Nesta hora de infortúnio o blog THP - Treinadores de Hóquei em Patins não pode deixar de manifestar o seu pesar pelo falecimento do Prof. João Campelo, ex-atleta internacional português e atual treinador e Presidente da Associação Nacional de Treinadores de Hóquei em Patins.
À família expressamos as nossas sinceras condolências.
Em jeito de uma pequena homenagem ao Prof. João Campelo, o blog THP não realizará publicações durante esta semana. As mesmas voltarão ao blog THP no dia 8 de maio de 2013.

Quarta-feira, 24 de Abril de 2013

A ARTE DE COMANDAR UMA EQUIPA



Muitas vezes, encontro pessoas com dificuldade no comando de uma equipa, preferindo mesmo não ter a responsabilidade de efetuar as tarefas mais complicadas, pelo simples medo de comandar uma equipa. Se por um lado, alguns membros são não obedecem, por outro lado, rejeitam o seu líder, acreditando que este tem menos conhecimento. De facto, enfrentar todo um grupo sem conhecimento revela-se uma grande dificuldade para um líder.

Este artigo procura relevar algumas das verdades escondidas acerca o relacionamento entre líderes e liderados.

Antes de mais, um líder comanda vários liderados, mas, para os mais experientes, será necessário separar cada uma das relações de todas as outras, ou seja, compreender que cada caso é um caso isolado. Mais tarde, compreendendo como funciona o motor das relações, é que o leitor mais inexperiente pode compreender como funcionam relações a três ou mais pessoas. Ficam algumas sugestões importantes para melhorar o seu poder de comando.

Faça altas demonstrações de valor

Não existe nada melhor que as demonstrações de valor para iniciar a explicação deste artigo. As demonstrações de valor são uma arma, por vezes inconsciente, para comandar bem uma equipa. Existem dois tipos de demonstrações de valor: das demonstrações de valor superior que são os alicerces, e as demonstrações de valor inferior que destroem os alicerces. As demonstrações de valor superior são palavras ou ações que mostram que o indivíduo tem algo de bom para oferecer e que todos têm algo de bom para ganhar, é uma demonstração de conhecimento e poder. Organizar boas análises, escolher exercícios que os jogadores gostam ou fazer alguma atividade durante o treino que os jogadores gostam são demonstrações de valor superior e impor disciplina. É necessário dar aos jogadores uma razão para estes se agarrarem ao treino, compreenderem que tudo o que façam não atinge o treinador nem as suas decisões, e a única coisa que podem fazer é lutar por um lugar na titularidade. As demonstrações de valor inferior fazem exatamente o contrário. Mostrar demasiada confiança com os jogadores, leva muitos deles a ficar seguros com o seu treinador. Deixam de tentar agradar o treinador e, consequentemente, deixam de treinar. Isso quebra todo o valor de uma equipa e demora imenso tempo para ser recuperado de volta.

Os jogadores só treinam por vontade própria

É lógico que, quando um jogador não tem vontade de treinar, não vai treinar mesmo. Gritar e obrigar os jogadores a treinar quando esta não é a vontade deles é um dos piores erros que se pode fazer. Quando o treino é agradável, os bons resultados são obtidos e os jogadores sentem que podem aprender com o treinador (compare a parte do aprender com o treinador com as demonstrações de valor superior), é muito fácil manter a ordem no grupo. Mas quando acontece o contrário, gritar e exigir resultados aos jogadores não é mais do que retirar a liberdade aos jogadores nem os vai fazer sentir bem. Cada jogador tem a mesma necessidade de conseguir resultados como o treinador, e quando os resultados são fracos, ou o treinador oferece segurança aos jogadores, isto é, fá-los sentir através do treino e da motivação podem obter resultados, ou os jogadores acabam mesmo por fugir do treino. Os jogadores sentem a mesma vontade do treinador. Quando um treinador não mostra aos jogadores que é possível alcançar um resultado, isto é, quando os jogadores não encontram motivação dentro do grupo, vão procurar essa motivação fora do grupo. O que de facto acontece, é que, grupos de adeptos e claques não motivam quando as equipas estão em baixo. Em vez disso, exigem resultados, deixam de apoiar, e os jogadores não encontram motivação nem dentro nem fora do grupo. A "Teoria do Gato" ajuda a compreender melhor esta teoria. Quando lançamos um novelo a um gato para ele brincar, o mais certo é ele nem querer saber do novelo e vai-se embora. Mas se nós lhe lançamos o novelo, e quando o gato o agarra, nós puxamos o novelo de volta, sem nunca entregar o novelo ao gato, este não vai desistir de o tentar apanhar. Estamos a causar uma necessidade ao gato, e na realidade, acontece exatamente a mesma coisa.

Cultura é uma das chaves do sucesso

Um treinador, por mais que saiba da modalidade, precisa de saber sobre vários temas para mostrar aos jogadores quem é o verdadeiro líder. Excelentes análises e explicações só fará os jogadores acreditarem que o treinador percebe da modalidade, mas não fará com que os jogadores acreditem que sabe liderar, treinar e proteger o grupo dos perigos exteriores. Em cada situação inesperada, quando um jogador necessita de proteção do seu treinador, por mais que custe, este precisa causar dependência do jogador além de o proteger. Um plantel sente necessidade de alguém que o possa proteger, e quando algo menos bom acontece, como o abuso do exterior do grupo ou uma lesão, o facto de o treinador apoiar o jogador fará com que este se sinta protegido. E quando um jogador se sente protegido, este necessitará de ser protegido novamente, e conta com o treinador para isso. Esta é também uma das demonstrações de valor superior que um treinador pode causar.

Ser persistente é ser resistente

Podemos ser realmente muito bons numa tarefa ou numa profissão, ser bons a fazer alguém sentir que precisa de nós e a demonstrar o nosso valor de forma eficiente. Contudo, a sede humana é insaciável, e quando alguém mostra ser diferente, todo o grupo envolvente vai tentar transformar essa pessoa em alguém igual. Por esta razão, além do futebol, quando alguém tenta ser diferente, as pessoas mais próximas tem medo que essa pessoa possa fugir. Por exemplo, as mães têm medo que os filhos encontrem uma pessoa e saiam definitivamente de casa, pois estão habituadas a tê-los por perto. Esta é uma das causas do racismo e da discriminação, uma vez que o ser humano não aceita que alguém seja diferente. Alguns jogadores são também alvo dos elevados salários que recebem, porque isso indica que o jogador é superior, e ninguém aceita que alguém seja superior. Quando traçámos um objetivo ou uma meta, a primeira coisa a fazer é concluir essa meta, sem importar a opinião alheia. Se o treinador tem a certeza que o que escolheu fazer vai realmente dar certo, então deve fazê-lo. Se realmente der certo, terá um escudo de proteção contra a discriminação dos próprios atletas. Se não conseguir, será visto como fraco.

Concluindo, é necessário construir uma personalidade para comandar os jogadores

Nada é impossível e a sorte não existe. Não existe nada mais que se possa dizer além destas duas afirmações, pois estas já dizem tudo. O trabalho, a persistência e a escolha de um rumo é necessário para alcançar novos mundos e conhecimentos, e a partir do momento que entramos nesses mundos, surgem novos perigos. Por esta razão, cada equipa necessita de um modelo de jogo, uma vez que a segurança em ter decisões predefinidas implica correr menos riscos. Comandar é exatamente o mesmo: é necessário ter um modelo de comando, para que os riscos sejam menores, melhorando os resultados no grupo.

FONTE: Adaptado de
 http://www.teoriadofutebol.com/apps/blog/show/20654568-a-arte-de-comandar-uma-equipa

Quinta-feira, 18 de Abril de 2013

DENTRO DA MENTE DOS MELHORES ATLETAS DO MUNDO - PARTE 2 DE 2



Por Miguel Lucas, AQUI

«6 PASSOS NO DESENVOLVIMENTO DA TENACIDADE MENTAL

 1. Comece com a atitude certa e estado de espírito alinhado com os seus objetivos de performance (coloque os seus sentimentos e pensamentos capacitadores na linha da frente, chame todos os recursos psicológicos até si e atinja um estado mental facilitador):

A confiança vem em saber que você está preparado e se tem uma crença inabalável nas suas habilidades para alcançar os objetivos pretendidos. A confiança é sobre quem tem a coragem de competir como um guerreiro, sem medo do fracasso
- Capacidade de acionar o modo competitivo “Guerreiro Competitivo
- Coragem para dar tudo no recinto esportivo, jogar com o coração, determinação e foco total.

2. Programe a sua mente para o sucesso antes do tempo (antes da competição importante) com expectativas e afirmações positivas:

Espere o melhor de si mesmo. Afirme que é que você que vai fazer tudo para ser bem sucedido
- Declarações de objetivos orientados e confiantes começam com “eu quero, eu posso, eu vou …”)
- Focalize-se naquelas coisas que você quer que ocorram, ao invés de coisas que você tem medo que possam dar errado
- Visualize-se a realizar a sua performance da maneira que pretende (confiante, focado, completamente energizado)

3. Padronize os seus comportamentos: Desenvolva uma rotina pré-performance ou pré-competitiva sistemática que promova o estado mental/emocional desejado (prática, pré-competição, competição)

Prática (uma vez que você inicie o treino, comprometa-se a dar tudo que você tem, o que inclui fazer um compromisso de escutar, aprender, executar as habilidades / treinos com precisão e foco total)
- Pré-competição, desenvolva uma rotina sistemática de exercícios físicos e mentais (motivacionais, energéticos de confiança e elevado estado de recursos)
- Durante a competição (elevado foco atencional orientado para a elevada perfomance)

4. Atitude e compostura: Em caso de emergirem erros, rapidamente refocalizar a atenção para o que promove o elevado desempenho.

Grande parte do treinamento mental é acerca de compensação, ajustamento, e confiança.
- Se o plano A não funcionar, vá para o plano B ou C
- Uso de “Pontos Focais” são eficazes para ajudar a retomar a atenção de volta para a tarefa em mãos
- Seja persistente e mentalmente tenaz, não permite que a frustração possa minar a sua confiança e foco

5. Assuma o controle das auto-verbalizações negativas: “pensamento negativo” Reenquadre com sugestões de tarefas positivas orientadas:

Inicie tomando consciência de situações que fazem você ficar frustrado, apressado, intimidado, perder o foco. depois reenquadrar a negatividade, acionando a tenacidade mental através de auto-sugestões positivas
Exemplo do Basquetebol: Em vez de dizer “Eu tenho de incestar como se a minha vida dependesse disso”, liberte-se dessa pressão negativa, reformule essa vontade em algo mais positivo e orientado para tarefa “dê uma boa olhada no cesto, veja-o, sinta-o, ganhe confiança.”

6. Olhe para o fracasso como um trampolim para a realização futura:

A abordagem dos campeões para superar a adversidade é: Jogar para ganhar, em oposição a temer cometer um erro
Ele falhou 9.000 lances, perdeu 26 jogos em que lançou para ganhar, perdeu 300 jogos – Michael Jordan, NBA 6 vezes Campeão do Mundo. ”Eu falhei repetidamente, é por isso que eu consegui”
Concentre-se no processo de competir com elevado desempenho. Diferencie-se, impulsione-se a ter um elevado desempenho, quando mais importa.

Uma das técnicas que tem vindo a comprovar-se como tendo grande eficácia no treino das competências e habilidades psicológicas anteriormente descritas é a auto-hipnose. Para aprofundar este assunto, leia: 7 Passos explicam a auto-hipnose para atletas.

 AUTODOMÍNIO E MOTIVAÇÃO


A capacidade do atleta para controlar elementos mentais e emocionais auxilia o desempenho de tarefas, bem como a criação de uma base psicológica para a confiança e bem-estar (Boyd & Zenong, 1999). Quando o atleta possuí um elevado domínio dos seus recursos psicofisiológicos, quando sabe mobilizar as suas capacidades, habilidades e competências físicas e mentais aumenta drasticamente o seu desempenho. No entanto, quando a capacidade do atleta para controlar o seu estado psicológico é diminuída, afeta redondamente todos os seus recursos, inibe o seu potencial diminuindo a autoconfiança, bem-estar e desempenho.

Como qualquer forma de treinamento, os métodos para desenvolver o autoconhecimento exigem metas especificadas no tempo, distintas e definidas. Além disso, o tempo reservado para a prática das estratégias mentais, e a crença dos métodos utilizados, requerem um certo nível de motivação, ainda mais, do que o treinamento baseado na condição física e técncia que tem resultados quantificáveis​​ desde o início, e podem ser avaliados e medidos com regularidade. No treinamento das estratégias mentais a paciência é um aliado promotor, assim como a confiança na sua aplicação, porque os resultados podem não aparecer de imediato.

A motivação intrínseca deriva de um desejo de atingir uma determinada realização específica. Em vez de definir-se a partir da perspectiva de agentes externos, o atleta orienta-se por si mesmo, o sucesso estabelece uma forte relação com as performances realizadas anteriormente, independentemente da recompensa externa (Dishman, 1984).

É na relação que o atleta estabelece consigo mesmo, com o seu desejo de alcançar um determinado desempenho que tudo pode ser potenciado, ou ao invés autosabotado. Se o atleta consegue estabelecer uma forte ligação entre o seu nível motivacional e associar-lhe um elevado sentimento de crença, certeza e possibilidade de vir a atingir o objetivo desejado, ele cria o seu próprio estado mental favorável. O atleta passa a ser um facilitador e promotor do seu desenvolvimento e crescimento atlético. Se o atleta conseguir desenvolver a capacidade de criar envolvimento com o seu treinamento, tendo como chama, combustível ou potenciador os sentimentos e emoções que espera vir a sentir no momento em que conseguir realizar a performance desejada, criará uma enorme vantagem competitiva.

A motivação intrínseca permite ao atleta uma perspectiva mais objetiva de si mesmo, diminuindo uma posição egocêntrica, que normalmente seria associada com a motivação externa, e libertando o atleta para ver o seu desempenho como um meio de auto-desenvolvimento. Compreendendo isso, o atleta aumenta o seu nível de consciência dos recursos psicológicos que possuí, conseguindo orientar diariamente a sua atenção para a importância da persistência no treinamento intencional (emoção focada na tarefa).

É importante que o atleta não se limite por acontecimentos externos, como por exemplo motivar-se apenas para “ganhar” ao seu adversário. Este tipo de motivação à primeira vista até pode parecer benéfico. Mas, na verdade tem muito mais de prejudicial do que vantajoso. O atleta deve focar-se naquilo que ele pode influenciar, que é a si mesmo. Se o atleta não abrir a porta para fins muito mais elevados de desempenho, certamente irá enfrentar duros obstáculos à melhoria.

Existe uma elevada incontrolabilidade inerente aos eventos externos. Se o atleta pretende potenciar-se ao máximo, criar uma mente tenaz, com característica psicológicas facilitadoras que lhe permitam projetar-se mais além, deverá esforçar-se por focalizar-se principalmente nas coisas que acredita ser capaz de realizar. O atleta conscientemente deverá imaginar o que pretende alcançar, construir na sua mente imagens o mais claras possível e associar-lhe um forte sentimento (sentir no corpo o seu desejo e realização). É esse estado psicofisiológico que deve promover no seu treinamento. É nesse estado que deve propor-se às tarefas exigentes do treinamento. Treinar como se soubesse que aquilo que pretende irá ser alcançado, certificando-se que todo o seu ser está envolvido no treinamento que realiza diariamente. Perante a autoridade da motivação intrínseca, o atleta aumenta drasticamente as possibilidades de auto-desenvolvimento e auto-aperfeiçoamento.

COMO OS ATLETAS DE ELITE MANTÊM O SEU FOCO?


Parte da resposta é que eles são capazes de imaginar a cena uma e outra vez num ciclo repetitivo de construção positiva do cenário competitivo. Mas, o que define mentalmente os atletas de elite do resto de nós? Como é que eles são capazes de ir além dos seus limites comparativamente ao mero dos mortais?

A prática da imagética mental que é composta por três tipos de imagens mentais distintas (ensaio mental, visualização e imagética)  é uma das ferramentas que os atletas podem usar para atingirem o seu potencial psicológico máximo, e consequentemente o físico. Para um atleta de elite, dominar todos os fatores mentais é tão importante quanto dominar as várias habilidades físicas.

Todos os fatores se interrelacionam e facilitam a elevada performance, mas existe um que se destaca de todos os outros e que estabelece uma forte relação com a motivação, que é a confiança. Quando o atleta tem um forte sentimento de confiança emerge uma forte motivação. A  motivação (emoção + ação) garante o combustível para a preparação, e a boa preparação torna-se em confiança. O fator psicológico mais importante  é a confiança. A confiança funciona como o gatilho que permite potenciar e aumentar a eficácia dos restantes fatores. O atleta pode ter toda a capacidade do mundo para ter sucesso, mas se não acredita que tem capacidade para produzir um resultado de topo, não vai ter sucesso.

O ESTADO DE FORMA É UM ESTADO PSICOFISIOLÓGICO


Tudo o que o atleta treina diariamente tem como objetivo produzir o melhor resultado possível em competição. O treinamento físico é preponderante para o atleta aumentar a sua condição física, melhorar as questões técnicas do seu esporte, e ir aprimorando a tática que possa ser aplicada em competição. Não existe atividade motora sem atividade mental. O que pensamos influencia a forma como nos comportamos. O que pensamos influencia igualmente a forma como nos sentimos. Ou seja, durante o treino estes três processos interrelacionam-se. O atleta durante o treino pensa, sente e age. É nesta interrelação que é criado um determinado estado de ser, um determinado estado psicofisiológico.

Quanto mais autoconhecimento o atleta tiver acerca da forma como pode influenciar positivamente o seu estado de ser, o seu estado psicofisiológico, mais rendimento terá no seu treinamento. Os estados de ânimo influenciam todo o nosso comportamento.

Os treinadores preocupam-se tremendamente com a programação do treino físico, quantidades, volumes, frequências, intensidades, entre outras. No entanto, independentemente daquilo que se faz, a forma como se faz joga um fator preponderante na progressão do atleta. O envolvimento emocional que o atleta coloca no seu treinamento, o domínio das estratégias psicológicas que evidencia e o grau de confiança que tem em si mesmo, podem promover ou sabotar o estado de forma ótimo que tanto se quer atingir

FONTE: http://www.escolapsicologia.com/dentro-da-mente-dos-melhores-atletas-do-mundo/